segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Difícil ficar longe... A Linguagem

Acho que esta é a segunda postagem sobre o mesmo assunto, a Saudade, no entanto nesta oportunidade vou falar mais sobre um assunto novo batendo a porta, a linguagem.


Se antes viajar já era difícil, agora então. Se antes tínhamos os olhares que nos conquistavam, agora temos a linguagem falada para dificultar cada viagem marcada.

Esta semana será uma maratona de Eventos, 3 no total, 2 de trabalho formal, e a Campus Party que é por motivos mais sociais.

Estou com saudade dos meninos desde que passei pelo embarque do aeroporto. Falei pela manhã com minha Esposa (Alynne), ela me disse que os meninos dormiram bem a noite após eu ter viajado, mas acordaram chamando a mim. Bê com um "Cadê Papai?" e Gui com um "Papá"?
O que sinto desta vez não é só o sentimento de saudade, esta procura pelo Papai, chamando, falando, é a novidade deste momento, a hora que a linguagem começa a ser desenvolvida.

A linguagem para uma criança com down é tão particular, individual. Nunca ouvi alguém dizendo que a fala se iniciou da mesma forma.
Mas vejo uma coisa em comum, a timidez em se expressar, em mostrar ao mundo pelas palavras "quem sou eu".
Enquanto Bernardo torna-se um expert em dialogar e expressar os seus sentimentos, Guilherme nos mostra como devemos prestar atenção em tudo, com suas frases rápidas, as vezes num tom baixo, e nunca provocada, todas as palavras pronunciadas por ele foi num momento que houve necessidade dele expressar. Não adianta o nosso querer, ou a nossa repetição de algum trecho esperando que ele repita. Papagaio aqui por enquanto só o Bernardinho mesmo (risos).
Como "ensinar" uma criança a falar? Não sei a receita. Apenas sei dizer que é Recompensador!
Cada palavra repetida por Bernardo é linda demais, quando ele começou a pegar os livros de historinhas e começou a contar a dos 3 Porquinhos, foi, e é emocionante, o máximo de orgulho e amor. Bernardo fala com maestria, cria e recria contos, fala frases perfeitas e vemos Guilherme observar o irmão e fazer os seus contos próprios com muitos sons e gestos lindos com suas mãos. Guilherme também conta histórias, Guilherme entende todas as letras das suas músicas preferidas e coreografa como poucos.
Quando Guilherme fala timidamente "Papá" eu olho bem nos olhos dele e falo "Papai", ele não repete, hoje entendo melhor, ele já conseguiu o efeito que a palavra pronunciada tinha, me chamou! Essa simplicidade complexa primeiro me deixou preocupado, mas como tudo que já aconteceu o tempo de Gui é quem dita as regras. Estimulamos muito, mas desde os 3 meses ele faz tb terapia (Fono) que é excelente e fundamental.
Mas ele olha bem fundo nos meus olhos e me diz o seguinte "papai não tenha pressa, o que importa é que te amo, quando eu quiser expressar meus sentimentos eu vou fazer, sua linguagem você já tem, estou aprendendo a minha e aprenda comigo também".

Estou aprendendo a ouvir e a compreender meus filhos e eles me mostram um mundo que não conhecia.

Murillo Oliveira
www.twitter.com/tio_lillo
murillo@meufilhotemdown.com

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