domingo, 10 de fevereiro de 2013

Como você me vê?

Sempre fui adepta a observar o comportamento das pessoas diante das mais variadas situações. Acredito que pela educação que tive as coisas que sempre me chocaram e chocam estão ligadas a questões como violência, ignorância, desigualdades, enfim. Mas questões relacionadas a deficiências, sexualidade nunca me fizeram ter um olhar estranho. Não estou aqui dizendo que não tenho preconceitos, devo ter por alguma coisa, todo mundo sempre tem. Hipocrisia dizer que não.
O fato é que o olhar das pessoas para determinadas coisas sempre deixam marcas, boas ou ruins, mas deixam. Ontem meus filhos brincavam no sítio dos avós. Crianças brincando sempre serão crianças brincando, ao menos para mim. O interessante é que os que ali estavam vez ou outra saíam com alguns comentários "olha pra ele já fica de pé sozinho"; "olha, olha que coisa linda conversando"; olha abraçando o irmão"; "olha, ele deu três passinhos"; "olha, ele canta e dança". Oi, ele (Gui) é uma criança gente, vem desenvolvendo suas habilidades como toda criança, o que vocês esperavam ver? Kkkkkkkkk, achei engraçado demais (hoje já não fico triste ou chateada). O lance é que para o senso comum a pessoa com down é "lerda" não sabe fazer "coisas" aí de repente começamos a conviver e vemos que tudo o que pensávamos eram conceitos meio torpes.
Percebo que essas pessoas não conviviam, não viam pessoas com deficiência como pessoas capazes, a fala delas as vezes parece preconceituosa, no entanto parecem não possuir a sabedoria de vida que diariamente nos impacta com situações que merecem um devido olhar. Culpa? não existe culpa, existe uma ausência de olhar para o próximo como se "ele" fosse o meu próximo. Como seres humanos caímos na ousadia de achar que as coisas acontecem ali mais a frente, com o vizinho, sabe, mas comigo não.
A deficiência muitas vezes se apresenta de modo tão normal que ficam as perguntas: o que é deficiência? o que é ser normal?
Mais uma vez meu desbravador Guilherme mostra as pessoas que o mundo não é preto e branco, que as cores encantam para quem não as viam antes, coisa que toda criança faz.
É tão bom acreditar nas pessoas e em suas capacidades. Acredito que depois da tarde de ontem as pessoas vão ver uma criança com down por uma outra lógica, um outro olhar.
Acredito!
Por Alynne Oliveira


Guilherme tentava andar a tarde toda, deu vários passos.

Olha quem pegamos no flagra! Qual Criança não gosta de pula pula? O Gui adora!


Meus lindos!

0 comentários:

Postar um comentário