quinta-feira, 12 de julho de 2012

Anomalia?

Não tem jeito, sempre me causou estranheza antes e agora que tenho um bebê com Down soa-me mais estranho ainda a palavra ANOMALIA, ou a frase, "seu filho tem uma ANOMALIA". Tudo bem que cientificamente as alterações cromossômicas, genéticas e etc. 

São assim nomeadas, mas em nosso dia a dia podemos abolir esse contexto e traduzir aquilo que para alguns foge a tal normalidade (e pergunto, afinal o que é normal?) para algo mais singular, porque não nomearmos de particularidade ou simplesmente singularidade. O emprego de termos e palavras costumam dar o tom as coisas. Acredito que as mais variadas formas de preconceito seriam mais atenuadas se desde a infância educarmos nossos filhos. Por exemplo, lembro-me que quando criança a primeira vez que vi um "homem vestido de mulher" fiquei curiosa, olhando sem parar e meu pai percebeu isso e perguntou o que eu estava olhando, aí eu disse "aquele moço é moço ou moça painho" ele me respondeu: ele nasceu menino mas prefere ser menina, quando você crescer você vai entender melhor, mas é assim, ele acha mais bonito se vestir de menina. Talvez a explicação de painho não tenha sido das melhores, mas fui crescendo com respeito as coisas que me pareciam diferentes e acredito que por essa fala de meu pai tão simples o meu olhar para as singularidades sempre foi normal.

Espero saber educar meus filhos dessa forma, transmitindo respeito a tudo que lhes parecer diferente, fora do normal, como dizem. Espero não usar muito a palavra NORMAL também, prefiro SINGULARIDADE, porque todo ser humano tem a sua.

Bernardo e Guilherme são assim, singulares, lindos e singulares. Bernardo com uma gargalhada e um olhar que diz tudo o que ele esta querendo fazer, tão determinado e tão doce. Guilherme com uma ternura inconfundível, basta olhar.

A tal da anomalia? sei lá onde ela ficou, deixo para aqueles que ainda veem a vida como um grande problema a ser solucionado.

3 comentários:

  1. Do jeito que o mundo anda, cheio de contradicoes e inversão de valores, nem sabemos mais o que pode ser chamado de normal ou anormal. E é bom que a gente nem rotule nada. Afinal, o que é normal para mim, pode nao ser para outra pessoa. Por exemplo, andar com um par de sapatos em que um pé é azul e o outro é branco pode ser a coisa mais estranha do mundo para mim, mas alguem pode usar e achar que está na ultima moda e por isso é normal. Algumas situacoes, ao longo do tempo, a gente aprende a aceitar e respeitar (mesmo que discorde ou nao seja adepto). Respeito! Essa é a palavra magica nesse mundao tao diverso. Acredito muito no que foi dito sobre a educação e o respeito que aprendemos a ter desde a infancia. Confesso que por falta de convivio com pessoas que têm down, sou imatura quanto ao saber lidar e entender o seu comportamento e interacao com a sociedade. Mas nao há nada que nao se possa aprender, principalmente se for atraves do amor. Ter o Gui como sobrinho é ter a oportunidade de aprender com amor o que é a sindrome de down. A anomalia está naqueles que nao conseguem nem mesmo olhar dentro de si e ainda olham para o proximo com maldade e desprezo. Um abraço, Raquel

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  2. Esse é um tema que dá e dará sempre o que falar... acho que o problema da questão não reside no termo anomalia, mas em algo maior que se chama preconceito! Anomalia só tem sentido pejorativo quando é empregue com sentido pejorativo e, neste último caso, deve ser combatido. Por outro lado, anomalia é um termo técnico, científico, real e que deve ser aplicado no seu contexto e deverá ser lidado pelos técnicos, pacientes, familiares e sociedade, como um todo, de forma natural. Também é necessário essa aceitação por parte de quem possui o que cientificamente chamamos de anomalia genética, pois o combate ao preconceito deverá começar de dentro para fora e daí a importância da educação desde a infância.

    Vejo essa questão da mesma forma que vejo a questão de usar o termo "negro" para pessoas de pela escura; de utilizar o termo "empregada" para as funcionárias domésticas que pagamos para limpar nossas casas. Alguns negros e algumas empregadas domésticas, sentem-se ofendidos ao ouvir essas expressões! Ao meu ver, revela um preconceito para com ele próprio.

    Acho que tudo reside no poder da palavra. Por isso, por que não utilizar especial em vez de anormal. Mas tenho sempre em mente, que anormal não quer significar algo ruim, mas sim diferente! Isso sim, acho que promove grandes mudanças numa sociedade!

    Um beijiho

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    1. Olá Renaldo, sábias palavras. Acreditamos mesmo no poder do que falamos e pensamos, no poder da energia que colocamos nas coisas e por isso cada palavrinha que escrevemos aqui no blog é bem carregada de amor e esperança de que um dia o mundo tão diverso possa ser no mínimo mais respeitoso com tudo e todos que contrariem os tais padrões ideais da sociedade.
      Bjs

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