quarta-feira, 23 de maio de 2012

Medo da rejeição.

Quando meus filhos nasceram, já os conhecia, senti intensamente a gravidez de minha esposa, vivemos uma gestação complicada juntinhos. Bernardo nasceu primeiro, Guilherme nasceu depois, passei muito tempo só chorando, afinal é muito sentimento junto, amor demais.
Meu Bernardinho foi para o quarto, tão frágil, tão lindo; meu Gui ficou na Unidade intermediária (por 12 longos dias). Quando olhei para meu Bernardo fiquei bem bestão, ele já mostrava a sua personalidade e estava ali para amar muito o papai e a mamãe, meu chorão lindo. Quando cheguei perto do Guilherme, o vi indefeso, dentro de uma caixa de acrílico, não tinha visto seus olhos lindos, mas não demorou a sair dali, na manhã seguinte vi seus olhos, eles diziam "me ame".

Nossa!

Fui embebido de amor e tive muito medo, medo mesmo, tenho esse direito. O medo era dele não ser aceito, quando Alynne foi informada da suspeita de Síndrome de Down, de forma muito ruim por uma profissional despreparada, gelei de medo.

O medo era de meu lindo Gui ser rejeitado, de que todo aquele amor que ele expressava em seus lindos olhos não fosse correspondido.

Bobo! Fui muito bobo em achar que o Guilherme seria rejeitado, é impossível isso acontecer, seu olhar é muito apaixonante. A mamãe que já o amava até antes de engravidar, quando colocou nosso Gui no colo e deu mama, já estava verdadeiramente embriagada de amor.

Passado o susto, todos conheceram o Gui, pois Bernardinho já estava em casa e tomava conta do pedaço. E ele fez o mesmo com todo mundo.

Temos gêmeos, um deles com Síndrome de Down. É impressionante a sintonia, a cumplicidade e as mesmas atitudes destes meninos.

O dia a dia de nossos gêmeos nos mostra que uma criança com Síndrome de Down é só uma criança, nada de complicação. Temos duas crianças e meu filho tem down.

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